Solidão
O poeta Renato russo, já disse, certa vez, do alto de sua genialidade: “Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Para um bom observador contemporâneo, é fácil ver que a solidão não é deste tempo, mas inerente ao existir. Renato Russo pode estar certo, mas existem outros grandes mals. Nenhum mal é tão maior quanto a fome e a miséria. Talvez a maior desgraça que se abate sobre a humanidade em tempos onde há tanta oferta por alimentos. Gosto bastante dos pontos de vista do Arnaldo Jabour, livre de qu
alquer pudor lingüístico, embebido de malícias, humor, cinismo e sensatez, que nos levam, quase sempre, achar ao fim de tudo, que tudo é caos, e não há mais nada o que se fazer. O Difícil é descordar de suas colocações. Disse, certa vez, em “estamos com fome de amor” que estamos carentes de andar de mãos dadas, de receber carinho e doar sentimentos, sem esperar nada
Mas o que seria essa tal solidão? O significado, no Dicionário da língua portuguesa, diz ser um estado de sentir-se ou de fato estar só. Mas, acho que antes de tudo, é um estado interno e, como descreve a psicologia, consiste em sensação de que algo está faltando. E é essa sensação de falta, que não é saudade, que conduz ao caos de Arnaldo Jabour, e personifica o “grande mal do século” de Renato Russo, onde a solidão é morada intransponível, e não uma fase ultraromântica da literatura. A solidão a que Renato Russo se refere é a aquela de corações em que sobra espaço demais ( pode ser com alguém ocupando), ou solidão de um coração vazio (o coração que tem saudade até do que não conhece, o coração triste!). Indo mais além, acho que a solidão tem mais haver com ausência de amor. Assim como existem pessoas incapazes de amar (talvez porque não aprenderam a se amar ainda), acredito nisso, também existem as pessoas que não sentem esse abismo ou esse espaço livre demais no coração.
São poucas...
Hoje em dia o amor já não tem mais tanto valor. É incrível como desacreditam no amor, como sentem vergonha de dizer a um amigo que, está amando, apaixonado. Acham antiquado, démodé. Tem homem dizendo por aí que quer só é cumê! Como o homem neste ultimo século se tornou incapaz de amar! Nunca é tarde pra entender isso! É uma peça de uma engrenagem que não pode parar, que não pode parar pra sentir, porque sentir, faz perder tempo, faz parar a produção. Há! Antes de pensar nisso, quero me formar! Ainda não é hora, tenho que terminar isso ou aquilo! E o homem esqueceu como sentir. E todos já não sentem mais. Nesses tempos nunca gastou-se tanto tempo tentando retardar o tempo. São legiões de sozinhos malhando nas academias para parecer mais novo do que se é, esperando o botox na sala de espera, marcando a angioplastia e as plastías. É uma caçada tremenda quando chega o final de semana e todos saem à noite, na falsa intenção de encontrar alguém capaz de costurar apenas uma parte no rasgo feito por essa nossa “moderna” sociedade, que não sente. "É a famosa colcha de reatalhos"..
A solidão, não há duvidas, vem nos últimos anos fazendo parte da vida de muitas pessoas no mundo. Mas é preciso antes, entender o que é a solidão, e porque ela aparece, bem como diferenciá-la de depresão, ansiedade, fobias sociais, e a vontade pessoal de isolar-se de uma sociedade, ou adquirir independência ao ir morar sozinho ou sair da casa dos pais, para não confundi-la com algo ruim. A solidão nada tem haver com depressão ou ansiedade, porém a recusa a novas amizades, o excesso de trabalho e a pressão do dia a dia te forçando a entrar em uma espécie de “jogo” podem favorecer o seu aparecimento. É claro que iríamos muito longe se começarmos a discutir tema tão complexo e com tão poucos dados confiáveis de estudos. Pessoas com maior convívio social, com maiores relações interpessoais, tem menores chances de tornarem-se depressivas ou portadoras de síndromes de ansiedade. Todo esse isolamento gerou um quadro psíquico sem precedentes. O rivotril, é a droga mais vendida no mundo (sem falar no mercado informal) e não é a tôa. Uma das piores perturbações que essa tal solidão traz é o tédio, fundamental na engrenagem de ciclo que retroalimenta a própria solidão. O tédio não é sentir que que aquele domingo vendo Faustão está um fracasso. O tédio é um sentimento onde não consegue-se ver uma razão para existir, ou não saber bem o porque ou por quem continuar existindo. Quanto mais isolado, mais se isola o ser humano. E o que falar do alcoolismo, depressão, vício no uso de drogas? São sintomas do fracasso. Do fracasso das relações entre as pessoas.
Esses Sites crescem assustadoramente para todos os lados, nunca houve tanta gente em sites de relacionamento, nunca se gastou tão pouco tempo para ter um amigo (basta um clique), as emoções não são mais verdadeiras, não se vai mais a casa do amigo, não olhamos mais em seu rosto, não conhecemos mais o seu rosto. Os bonequinhos do MSN é que podem dizer se você está triste, zangado, chorando ou com sono! Você já não é mais você, e nem se deu conta disso, está se tornando menos você. O que foi feito pra aproximar você de seus amigos do trabalho, da época de escola, faculdade, faz você perder a chance de ligar, escutar a voz e o timbre da adrenalina e emoção porque você ligou. Quanto tempo do seu dia você perde, dedicando a pessoas que nunca viu, e que muitas vezes conta até suas intimidades? (que sabem quase tudo da sua vida) E o Orkut anda bastante em alta! Comunga e reúne a legião dos solitários em comunidades como “quero um amor pra vida toda”, “Cansei! O amor que me encontre”, “quero dar o golpe do baú”, “quero seu dinheiro não seu amor” e “enquanto não encontro o certo me distraio com os errados”. Mas o que isso tem haver com solidão? Eu disse, tome suas próprias conclusões! Talvez haja uma solidão a qual não podemos fugir muito, é como essa tal de globalização que eu aprendi na oitava série.... Temos que aceitar o problema que estamos vivendo, afinal a questão é séria! Rodrigo, é uma Aldeia Global como dizia a maria lúcia, minha antiga professora da escola.
Mas essa tal solidão, fez muita gente olhar pra dentro de si, refletir, sobre a própria condição de estar só, sobre a realidade de que a melhor companhia que há é a de nós mesmo.
Pode fazer você alavancar sua vida e seu modo de pensar, se usar positivamente deste momento tão seu. Na verdade, a solidão é um estado de estar apenas consigo, ou ancorado em si mesmo em meio à uma multidão. É uma qualidade saber usá-la para fortalecer a sua base, suas crenças, seus objetivos, desenvolver idéias novas. A idéia de estar só, pode ser considerada, assim, uma ilusão. Saber ter sua própria companhia e sentir-se bem acompanhado por si mesmo é uma virtude, e não um anti-socialismo ou individualismo.
Muitos poetas, filósofos, pensadores e cidadãos comuns conseguiram crescer em estados de solidão, pois são momentos únicos, onde existe apenas você, e mais ninguém.
A noite ascendeu as estrelas porque tinha medo da própria escuridão. Seria pelo medo de sentir-se só que Mario Quintana disse isso ? À solidão pode ser atribuída à muitas das melhores poesias de Vinícius de morais, como a que diz “Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão.. abre os teus braços, meu irmão, deixa cair [...] Eu francamente já não quero nem saber de quem não vai porque tem medo de sofrer, pra que somar se a gente pode dividir?” . Clarice Linspector, ora se transvestia de sua solidão, ora lhe fazia de companhia, para que pudesse se enfrentar, se sentir a vontade com o seu nada interior, e ao mesmo tempo plena de tudo. Florbela Espanca, a qual conheço pouco mais que a capa de um seus livros de poemas, nunca teve alguém que amasse em sua vida e, que vivera sozinha, não por gosto, e sim porque aprendeu a viver só. Nietsziche já disse odiar quem lhe rouba a solidão, sem ao menos lhe oferecer uma boa companhia. Assume aí, verdadeiro gosto por estar melhor acompanhado por si mesmo. Para William Shakespeare disse: sentir-se só é fazer opções por muros, ao invés de pontes.
Construa pontes, primeiro dentro de si, seja o seu melhor amigo, ame-se, escute a si mesmo, incentive suas boas idéias e reflita sobre quem é, e o que lhe faz bem pois, assim, a solidão será um momento esperado e procurado dentro de você.
Gostaria de ler uma vez mais para melhor comentar o teu post... Ocorre-me, no entanto, deixar bem claro que este tema me parece muito oportuno e completamente pertinente nos tempos e nas realidades que vivemos...
ResponderExcluirVoltarei para ler melhor...
quanto tempo..
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